terça-feira, 27 de março de 2012

Viva a Autonomia!!!

Impressionante essa tal "autonomia"...Só me dei conta dela quando tive filhos...Cada mês, cada fase...Chega o momento em temos que dar autonomia aos pequenos que vão crescendo...No inicio, beleza....Maaas, o engraçado, ou triste...Triste também não...É que pra algumas coisas com o passar do tempo, sem querer dificultamos a autonomia de nossos filhos, ou mesmo não colaboramos da forma que deveríamos.
O vínculo é forte e o hábito de organizar tudo pra todos e o excesso de zelo pode atrapalhar...Nada que não se conserte a tempo.
Impressionante também é que autonomia tem tudo a ver com a felicidade que estufa o peito quando eles se "sentem" fazendo algo importante,  capazes e mais seguros.
Dei boas risadas lendo a coluna do "Marcelo Tas"...E, é mais ou menos disso que estou falando...Quando uma luz se acende...

"Era ainda pequeno, uns 8 ou 9 anos, quando senti a satisfação de ter, pela primeira vez, meus serviços “profissionais” reconhecidos. Depois de algum treinamento, havia me tornado um exímio trocador de lâmpadas. Foi a necessidade que me levou a este cargo tão honroso. Antes, na casa da minha avó Geralda, a tarefa era confiada ao meu avô, um homem muito ativo que tinha caixa de ferramentas e tudo o mais. Aí, uma doença degenerativa pegou o velho e doce Candinho, tornando arriscada demais a subida dele na escada para desatarraxar o globo de vidro no teto.
Logo na primeira vez que assumi o posto, percebi o quanto aquilo era importante. Toda a casa parecia ter se reunido em torno da escada. Uns tentando me explicar a técnica da coisa, outros preocupados com a minha integridade física e todos demonstrando uma alegria infinita por ter de volta a luz elétrica no ambiente.
Aprendi muitas coisas na nova função como, por exemplo, identificar uma lâmpada defeituosa. Solenemente, chacoalhava o bulbo perto do ouvido tentando auscultar o ruído metálico do filamento de tungstênio rompido se chocando contra a fina superfície de vidro leitoso da lâmpada. Caso confirmado, me virava para todos com a seriedade de um médico legista e disparava o diagnóstico definitivo: está queimada!
Com o passar dos anos, e a inevitável adolescência, a minha disponibilidade como trocador de lâmpadas na casa da minha avó passou a ser menos frequente e ainda mais valorizada. Consegui manter esse “emprego” por muito tempo… Até hoje me coloco como candidato à tarefa quando estou por lá. É engraçado, mas não uma coincidência, que a chegada do final do ano me traga de volta essa memória tão distante.
Lembro que era justamente nessa época, na ansiedade e demandas dos preparativos para as festas de final de ano, que os chamados para trocar lâmpadas queimadas eram mais urgentes e incisivos. Afinal, tudo precisava estar nos trinques para o Natal. Só que, evidentemente, o ritual de trocar lâmpadas significava muito mais que a necessidade da iluminação dos ambientes. Significava sobretudo uma ligação afetiva que se estendia em longas conversas em torno da mesa com o lanche da tarde oferecido como recompensa pelos serviços prestados."

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