segunda-feira, 9 de abril de 2012

Sessão Patchwork- Posto, logo existo...

Domingo de Páscoa igual a almoço de família...Os que estão mais longe agente manda um e-mail ou dá uma ligadinha...Então, liguei pra minha sempre cunhada que mora com a filha, minha sobrinha, no interior de São Paulo...Conversa vai, conversa vem...Ela me avisa que posso adicionar a minha sobrinha ( de "quase" 9 anos) no "face"....No face??? Que horror!!! Pensei cá com os meus botões...A "titia" não tem "face"...Que vergonha!!!
E, mais conversa vai, conversa vem... Disse que eu realmente acho que o facebook  me sugaria muito tempo...Tempo que eu talvez não tenha...Ou que o utilize com a minha pequena ( comparada ao face) rede social de seguidores e seguidos da vida "real"...Ai, ai, ai. Muitas risadas, pois ela já sabe das minhas restrições respeitosas sobre redes sociais.
Desligando o telefone vou folhear o jornal e ler a minha coluna preferida de domingos...Martha Medeiros...E, qual o assunto???
Aqui vão alguns trechos...
"Começam a pipocar alguns debates sobre as consequências de se passar tanto tempo conectado à internet. Já se fala em saturação social, inspirado pelo recente depoimento de um jornalista do The New York Times que afirmou que sua produtividade no trabalho estava caindo por causa do tempo consumido pelo Facebook, Twitter e agregados, e que hoje ele se vê diante da escolha entre cortar seus passeios de bicicleta ou alguns desses hábitos digitais que estão me comendo vivo. 
Antropofagia virtual. O Brasil, pra variar, está atrasado (aqui, dois terços dos usuários ainda atualizam seus perfis semanalmente), pois no resto do mundo já começa a ser articulado um movimento de desaceleração dessa tara por conexão: hotéis europeus prometem quartos sem wi-fi como garantia de férias tranquilas, empresas americanas desenvolvem programas de software que restringem o acesso à web e na Ásia crescem os centros de recuperação de viciados em internet. Tudo isso por uma simples razão: existir é uma coisa, viver é outra.
Penso, logo existo. Descartes teria que reavaliar esse seu cogito, ergo sum, pois as pessoas trocaram o verbo pensar por postar. Posto, logo existo.
Tão preocupadas em existir para os outros, as pessoas estão perdendo um tempo valioso em que poderiam estar vivendo, ou seja, namorando, indo à praia, trabalhando, viajando, lendo, estudando, cercadas não por milhares de seguidores, mas por umas poucas dezenas de amigos. Isso não pode ter se tornado tão obsoleto. Claro que muitos usam as redes sociais como uma forma de aproximação, de resgate e de compartilhamento – numa boa. Se a pessoa está no controle do seu tempo e não troca o real pelo virtual, está fazendo bom uso da ferramenta. Mas não tem sido a regra. Adolescentes deixam de ir a um parque para ficarem trancafiados em seus quartos, numa solidão disfarçada de socialização."
"Casos avulsos, extremos, mas estão aí, ao nosso redor. Gente que não percebe a diferença entre existir e viver. Não entendem que é preferível viver, mesmo que discretamente, do que existir de mentirinha para 17.870 que não estão nem aí. " 

Um comentário:

Anônimo disse...

adorei esse post
muito bom
já estou desacelerando

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