terça-feira, 26 de novembro de 2013

Sessão Patchwork-Deusas Parideiras...

Final de ano chegou...Férias à vista...Encerramentos e apresentações na escola...Os filhotes passando de ano..Crescendo!!!
Dando uma olhadinha...Dei de cara com o texto de Denise Fraga..."Deusas Parideiras"...Da coluna Travessuras de Mãe, da Revista Crescer...Retalhihos... 
Grávida segurando pirulito de coração 
Imagem via Tumblr
"Meus filhos crescem assustadoramente e agora dou bronca olhando pra cima. Nasceram bem perto um do outro. Quando o pequeno Nino tinha 10 meses, eu descobri que estava grávida. Comecei tudo de novo, tirando de letra e me sentindo completamente escolada no assunto. Trabalhei durante toda a gravidez, enjoei muito menos e carregava um filho nas costas e outro na barriga com total desenvoltura. Me orgulhava da figura Pachamama que eu tinha virado, circulando naquele cenário de fraldas, chupetas e carrinhos que virou a nossa casa.
Deixamos a maternidade cheios de energia, querendo comemorar a chegada do segundo pequeno e chamamos a família na mesma tarde para um brinde. Recebi todo mundo, fiz café, conversei, dei de mamar, parecia uma parideira profissional. Mas quando chegou a hora do banho e desembrulhei dos cueiros o novo bebezinho, entendi a enorme diferença que faziam os 700 gramas que separavam meus dois recém-nascidos.
Pedro era um bebê muito menor. Sumia na minha mão. Lavava suas pequenas partes entre meu polegar e indicador. Tudo era mínimo. Tudo era frágil. Tudo parecia poder escorregar."
"Luiz entrou no quarto, eu lhe entreguei o bichinho- homem que tinha nas mãos e desatei a chorar  “Enxuga ele pra mim!” Sentei na cama desabando toda a empáfia da rainha parideira que circulava até então. Vesti o pequeno, dei de mamar ainda em pequenas lágrimas e fui me acalmando ao perceber a voracidade com que o pequeno troglodita me abocanhava
o peito. Deus nos tinha confiado dois dos seus. E nós tínhamos aceitado a aventura.
Eu me lembro que, nessa época, fui a uma nutricionista querendo dar alguma forma ao meu corpo quadrado e cheirando a leite e ela foi categórica: “Denise, você produziu três quilos de carne em nove meses e vem produzindo diariamente cerca de dois litros de leite. Sinto muito, você precisa comer”. Comi, me sentindo uma mãe poderosa. Deusa criadora de peles, ossos, olhos e cabelos, com uma enorme batalha pela frente: fazê-los crescer.
Os centímetros quadrados que ganhei nas pernas do rapaz que hoje começam no meu umbigo me deixam cheia de orgulho. Filhos nos põem fortes. Nos chamam à luta, nos fazem guerreiros e quase deuses."

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